Preces de uma noite de insônia


Que os sons da rua abafem as confissões que faço ao travesseiro. Que o travesseiro aconchegue minha cabeça tão cheia de sonhos. Que os sonhos, que tanto me consumiram durante o dia, sejam pegos pelo meu subconsciente e transformados nos delírios imprecisos que alimentam a noite. Que a noite aproveite de sua escuridão temporária para fazer minha cegueira perante aos problemas que me tiram o sono. Que o sono recaia pesadamente sobre meu corpo, esmagando meus receios sem que me seja tirado o ar da respiração. Que minha respiração, agora lenta, ensine o ritmo ideal de trabalho aos ponteiros do relógio. Que o relógio não me desperte antes que meus pés sosseguem sob os cobertores. Que os cobertores aqueçam meu coração até que este se dilate para grandes amores.

(Mas que nenhum grande amor torne a ser responsável pelas olheiras das minhas longas insônias.)