Primeiras vistas

Então olhei pelo vidro da janela do carro,
perplexa com os trechos de azul que eu conseguia visualizar
nos intervalos entre as casas
Um azul profundo, brilhante e que espumava
na dança sem ritmo das ondas

Eu, agora, mais do que perplexa — hipnotizada
Pois as casas que me escoltavam à esquerda da rua
rarearam
deixando maiores os intervalos
entre
uma
e outra
Assim meus vislumbres também aumentaram
junto com meu tempo de contemplação
quando o semáforo fechou e o carro parou:
as ondas dançavam,
as espumas acompanhavam,
o Sol refulgia...

Era meio-dia e o sinal abriu.

Deixei para trás a eternidade daqueles segundos finitos, contraditórios
minha permanência limitada no asfalto
entrelaçada com a infinidade do além-mar...