Triste confissão


Sei que meus textos andaram escassos. É que, nesta semana, eu estava com medo de escrever. Medo, sim: porque as palavras me revelam, e eu estava empenhada em me esconder. Esconder-me de tudo o que eu vinha sentindo, esconder-me de tudo o que eu vinha pensando. Contudo, mais do que ter sentimentos e pensamentos revelados pelas minhas palavras, meu medo era que, mesmo escrevendo, eu não conseguisse me expressar. Não conseguisse me traduzir. Não conseguisse encontrar alguém que pudesse me ler e compreender.

O que eu queria, então, com desejos tão contraditórios? 

Eu queria fazer um poema bem feito, que funcionasse como um tapete bordado de metáforas. Para baixo dele eu varreria minhas angústias, o que me afligisse a alma, sem comprometer meu nome. Assim eu não correria o risco de ser julgada injustamente e, ainda, poderia ter a sorte de que alguém lesse meus versos e os compreendesse tão bem que se enxergasse neles. 

Mas a semana passou e não consegui escrever quase nada. 

A confissão é triste, mas o medo me venceu.