Necessário desassossego

Não durma...
Não durma só porque a envolve este véu negro manchado de estrelas
Mantenha seus olhos tão abertos quanto esses outros pares de olhos
Pequeninos, brilhantes,
Que a encaram sem que você descubra de quem são

Ouça os sons da floresta:
Os morcegos, os sapos, os grilos e as aves noturnas,
Este farfalhar de asas e folhas que vêm do alto das árvores
E esses passos desconhecidos que, estalando secamente no chão,
Estão mais próximos do que deveriam

Observe a luz da lua
Coada, fraca,
Iluminando pouco o espaço
(Apenas para que você ache — não tenha certeza — que viu um vulto correndo ali)
Observe também aquele ponto de luz
Distante, distante,
Quase indistinto, ao pé da montanha,
Distante, distante...
Lembre-se de que a civilização habita muito mais além

Sinta esta brisa gélida tocar sua pele
Fazê-la se arrepiar de frio (e de medo)
Fazê-la se sentir acordada

É bom que você esteja acordada

Aguce seus sentidos e seus instintos:
Você está sozinha aqui.

7 comentários:

  1. O escuro ilumina o em nós que à luz se sublima.
    GK

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  2. Eu estou sozinha aqui.

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  3. Que lindo *o*
    Encantado, Larissa, parabéns e obrigado por esta leitura tão sublime!

    Abraços, até loguinho
    http://www.revolucaonerd.com.br/

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  4. Sabe, ontem pude vivenciar uma situação parecida com essa que você descreveu no poema e agora sempre que eu puder revivê-la vou me lembrar de suas palavras. Estou encantada com sua escrita, é linda e... leve.

    Caosologia

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  5. Que poema maravilhoso, senti como se fosse comigo mesmo. Pior é que eu estou sozinha aqui! =/
    Beijão,
    www.dosedeilusao.com

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  6. Excelente poema, tema atualíssimo. O ser humano, o ser urbano, urbanoide. Abraços, moça.

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  7. Soa como demônios internos :o

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