Necessário desassossego

Não durma...
Não durma só porque a envolve este véu negro manchado de estrelas
Mantenha seus olhos tão abertos quanto esses outros pares de olhos
Pequeninos, brilhantes,
Que a encaram sem que você descubra de quem são

Ouça os sons da floresta:
Os morcegos, os sapos, os grilos e as aves noturnas,
Este farfalhar de asas e folhas que vêm do alto das árvores
E esses passos desconhecidos que, estalando secamente no chão,
Estão mais próximos do que deveriam

Observe a luz da lua
Coada, fraca,
Iluminando pouco o espaço
(Apenas para que você ache — não tenha certeza — que viu um vulto correndo ali)
Observe também aquele ponto de luz
Distante, distante,
Quase indistinto, ao pé da montanha,
Distante, distante...
Lembre-se de que a civilização habita muito mais além

Sinta esta brisa gélida tocar sua pele
Fazê-la se arrepiar de frio (e de medo)
Fazê-la se sentir acordada

É bom que você esteja acordada

Aguce seus sentidos e seus instintos:
Você está sozinha aqui.