O Mala-Man

Os super-heróis estão em alta e geram bilhões de reais em bilheteria, mas nem por isso devemos, é claro, subestimar os vilões. Não quero defendê-los; quero ressaltar que, para além do cinema, se agirmos com indiferença em relação a eles, baixamos nossa própria defesa. Não desejamos isso, desejamos? Não desejamos. Principalmente quando se trata do Mala-Man, o pior vilão de todos. Admito que é uma criatura pouco conhecida... Nesses dias mesmo perguntei a um colega do escritório se ele já tinha ouvido falar no Mala-Man, no que ele respondeu, sem tirar os olhos do computador: “Você está se referindo ao nosso chefe, naturalmente. Aquele lá consegue ser insuportável!” (e aqui deu um muxoxo infinito, ainda sem tirar os olhos do computador).

A falta de interesse que meu colega demonstrou não permitiu que eu levasse o assunto adiante, corrigindo-o em sua definição e aprofundando-o numa explicação elaborada sobre o que, de fato, é o Mala-Man. Acontece que o Mala-Man não é o que chamamos, pelo sentido coloquial da palavra “mala”, um cara chato. Ah, não... O Mala-Man é uma entidade medonhamente esplêndida, sem origem, sem face, sem rumo. Assim, vive vagando por aí, estando em todos os lugares ao mesmo tempo, sem manter vínculos com ninguém em especial e provido apenas de uma enorme mala. Quando bem entende, para em algum canto e abre o objeto querido, fazendo sair de dentro dele tudo de pior que se possa imaginar: catástrofes ambientais, mágoas, dores, tragédias familiares, ódio, acidentes, guerras devastadoras, morte, fome, desilusões... Por que faz isso? Ora, porque toma para si a tarefa de desestabilizar o mundo; ele é a chave da maior parte do mal que nos assola.

Tão verdadeiro é o que eu disse que, se você parar para reparar, todo bom cristão reza para se ver longe de tal desgraça: ao fim do Pai Nosso, vem o “Livrai-nos do Mala-Man”.


Obs: o trocadilho "Livrai-nos do Mala-Man" (do original: "Livrai-nos do mal. Amém.") veio de uma piada que ouvi quando era criança — e que me faz rir insanamente até hoje.