Infinit(ec)amente

Num quarto de república
15 para às 4 da manhã
Embalado por um "tec, tec, tec" de máquina de escrever
Ah, se fossem meus dedos batendo no teclado
Ou os dedos de alguém no quarto ao lado!
Mas não
Somos estudantes com sono
E eu, um estudante com medo
Porque o "tec, tec, tec" vem do além,
Do além da minha compreensão
O cara que ocupava este cômodo antes de mim
Escrevia, escrevia, escrevia,
("Tec, tec, tec!")
Deprimido, enlouqueceu e se matou
Mas quem disse que parou de escrever?
Tec, tec, tec, infinit(ec)amente
O filho da mãe não dorme
E não me deixa dormir
Então me levanto e escrevo também
Escrevo para me distrair...
Distrair-me da ideia de que o louco sou eu.