O banco ao lado

Bastaram cinco segundos parado no sinal vermelho para que ele, de alguma forma, voltasse 23 anos no tempo... Novembro de 1992. Ela estava no banco ao lado — percebeu logo o ruivo do cabelo pela visão periférica e o perfume adocicado que, misturado à pele da moça, tinha um aroma único. Virou o pescoço em sua direção: ela sorriu. Ele sorriu também. Ia tocar aquele cabelo de fogo e beijá-la quando ouviu, sobressaltado, uma buzina atrás de si. Olhou para cima; sumira o vermelho, sumira o ruivo. O verde agora tomava conta e ditava as regras. Acelerou. O coração também estava acelerado. Ninguém no banco ao lado.