O banco ao lado

Bastaram cinco segundos parado no sinal vermelho para que ele, de alguma forma, voltasse 23 anos no tempo... Novembro de 1992. Ela estava no banco ao lado — percebeu logo o ruivo do cabelo pela visão periférica e o perfume adocicado que, misturado à pele da moça, tinha um aroma único. Virou o pescoço em sua direção: ela sorriu. Ele sorriu também. Ia tocar aquele cabelo de fogo e beijá-la quando ouviu, sobressaltado, uma buzina atrás de si. Olhou para cima; sumira o vermelho, sumira o ruivo. O verde agora tomava conta e ditava as regras. Acelerou. O coração também estava acelerado. Ninguém no banco ao lado.

9 comentários:

  1. "Sumira o vermelho, sumira o ruivo. O verde agora tomava conta e ditava as regras". Que texto maravilhoso de se ler :3 Se tornou o meu preferido da VIDA. Sério. Acho que está escrevendo cada vez melhor. Sem nem o que falar, hahaha.

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  2. Não raro o que passa mais depressa é o que mais fica.
    GK

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  3. Nem sei mais o que comentar por aqui. Sou sua fã Lari, amo seus textos e contos, então adorei esse também. Já deve ter ouvido isso mil vezes, mas vou falar mesmo assim. Você tem talento pra ser escritora de sucesso ^^

    imaginaivy.blogspot.com

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  4. A foto combinou bem com a proposta do texto sobre a passagem do tempo.
    Lindo como sempre =)
    bju Lari

    Meu blog ta de cara nova, venha ver =)

    karinapinheiro.com.br
    http://karinapinheiro.com.br/brasilia-marco-de-2015/

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  5. Engraçado como algumas lembranças nos pegam de repente assim do nada. Já passei por isso tantas vezes...
    Gostei. Fiquei curiosa pra saber a história de 1992...

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  6. Tu é alguém que faz diferença, que cria com tuas imagens e frases, versos e no contexto algo bom de se ler, de sentir e imaginar contigo o momento da criação. Eu voltei no tempo, isso é uma viagem ao passado quando o futuro é tu.
    Abraço e bom fim de semana.

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  7. Lari, primeiro queria agradecer teu comentário lá no blog. Me deixou sorrindo a manhã toda!

    Eu sempre gosto de ler os teus textos porque eles me transportam pra outra dimensão. Pra mim sempre foi difícil imaginar as situações narradas nos contos e textos em geral, mas tuas palavras sempre me fornecem a proximidade necessária pra me apegar aos personagens e entrar de cabeça na história deles. Mesmo que em apenas 6 linhas. Continue escrevendo sempre, plis!

    Beijão!

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