Filhas-lembrança

Suas lembranças eram filhas. Seguiam-na pela rua, choramingando e puxando-lhe a saia. "Não nos esqueça! Não nos deixe!". Ela, desnaturada que era, fazia que não via, ouvia ou sentia. As filhas-lembrança conheciam o caminho por onde vieram; que, sozinhas, voltassem para a casa e trancassem a porta. Trancassem bem a porta. Jogassem a chave fora. Sabia que era um egoísmo e uma covardia, porque as pequeninas a esperariam ansiosas pelo resto de suas existências — e ela não pretendia voltar. O Tempo que desse um jeito. O Passado que tomasse conta das suas crias.

Continuou andando e pensando. As filhas-lembrança, atrás.