Espelho já sem uso


Consolou-a. Pediu-lhe que não culpasse a si própria, garantindo-lhe que muito do que desejara nunca estivera mesmo ao seu alcance.

Abraçou-a. Agradeceu-a pelas lições que aprendera, pelos conselhos dados mesmo que imperceptivelmente. Prometeu-lhe que, dali em diante, teria mais juízo.

Afastaram-se, cada uma dando um passo para trás. Encararam-se como se encara um espelho. Tão semelhantes nos traços, mas tão diferentes no que carregavam nos olhos...! Um par de pupilas doce, gentil; outro, carregado de ressentimento, de um quase ódio que se continha.

Ela, a mais velha, deu as costas primeiro. Mais fácil assim. Nunca mais veria aquela que fora, aquela que acabava de deixar.

De costas, sorriu. Encerrava-se ali um fingido compromisso consigo mesma. Sentia-se livre. Sentia-se bem.