Absurdamente


Eu sou absurda
Eu sou completamente absurda
Você sabe quão absurda eu sou...

Eu invento as regras
que se prendem aos meus próprios tornozelos,
e meus tornozelos passam a arrastar essa culpa
pelo dó que sinto de mim mesma
Então me abraço,
afago-me o cabelo,
vou me levando de mansinho para o quarto
e ali me prendo por horas,
a fim de ter um tempo de mim
Pois quem é que aguenta vitimismos?
Repreendo-me,
tenho uma conversa séria comigo mesma,
e digo séria para mim mesma:
Não se esqueça de que você é seu peso neste mundo

Silêncio.
Percebemos, ambas, o paradoxismo do sermão.
Sentamos, ambas, eu e eu, na beirada da cama.
E choramos por horas...