Átimos


Asas. Asas altas no céu, asas coloridas dentre os pastos, asas fingidas de sementes e folhas que não têm asas, mas voam. Asas. Asas de sonhos que morreram puros e subiram ao paraíso. Asas de lembranças que, quando esquecidas, foram vagar sem rumo, sem esperança e sem função. Asas de um tempo-inferno que só sabe voar e zombar dos que não sabem. Asas. Tantas asas. Tantas asas a deslocarem, com seu movimento contínuo, qualquer consciência de mim... 

De repente, despercebo meu corpo. Num instante, sou alma, sou asas — e voo.