Sombra

Pela terceira noite seguida, aquela densa sombra junto à porta. 

Fechei os olhos com força enquanto me encolhia mais sob os cobertores. Apesar do medo, eu tinha plena consciência de que o esboço, tão semelhante à silhueta de um homem, era mero produto de pensamentos inquietos. 

Essa atitude autotranquilizadora funcionara bem nas duas noites anteriores. Naquela, contudo, só servira para aguçar meus sentidos, e eu mais sentia do que ouvia algo que se aproximava. 

Fechei os olhos com mais força. Apertei-me mais contra mim mesma. Os batimentos do meu coração soavam altos... 

Um baque. Algum objeto caíra sobre a cômoda paralela à cama. Tão próximo! Minhas contrações cardíacas se tornaram de tal modo intensas e rápidas que, se não podiam empurrar para fora da minha boca o próprio órgão que as originava, tentaram empurrar o grito que não viera até então. Nem veio. As lágrimas, contudo... Torrentes salgadas fugiam-me em desvario, correndo por minha face como quem corre de um grande mal. 

A essa altura, eu já abrira as pálpebras novamente. Sem qualquer atitude que não fosse chorar — talvez na crença de que as lágrimas me dissolvessem e me livrassem dali —, esperei pela sombra. Esta, depois de mexer em algo sobre o móvel, tornava a se aproximar. 

Voltei a fechar os olhos quando ela estava prestes a me tocar. 

— Ei... Ei... Sou eu... Sou eu! — sussurrou.

Céus! Aquilo deveria me acalmar? 

Quando, numa fração de segundo mais tarde, senti algo contra meu ombro, achei simultaneamente que eu ia morrer e que estava tudo bem. Por reflexo, abri os olhos outra vez. O vulto permanecia indefinido junto à cama, mas a voz que sussurrara e o aroma que me invadia... inconfundíveis. 

As lágrimas se puseram a descer mais desvairadas do que antes. 

A sombra, que com essa minha reação parecera tão assustada quanto eu, passou a mão sobre o cobertor pela extensão do meu braço. Afastou-a rápido, então, para acender o abajur no criado-mudo, e, inclinando o corpo outra vez em minha direção, esperou.              

A luz clareava bem o espaço onde nos encontrávamos, mas o que eu via junto a mim continuava não passando de sombra. Uma sombra menos densa, uma sombra mais delineada, mas, ainda assim, uma sombra. 

A parte do meu cérebro que buscava por coerência me dizia que aquilo era efeito da minha vista, não apenas embaçada de pranto, mas também desacostumada à claridade. A outra parte, ainda mais sensata, berrava: “De que isso importa? Ele nem deveria estar aqui!” 

Enquanto eu tentava — inutilmente — parar de chorar, ele, acariciando a região do cobertor onde se encontrava meu braço, ia tomando forma... O corpo esguio, o cabelo e olhos castanhos, o nariz meio longo e meio curvo, a boca bem desenhada. Logo era, indiscutivelmente, o meu namorado que se encontrava na beirada da cama.

Ele suspirou fundo.

— Eu não sei o que o outro te fez pra você chorar assim, — começou — mas... Caramba! Vai ser difícil te explicar isso... 

“‘O outro’? Será possível que ele esteja se referindo ao garoto?”, pensei. 

— Cê sabe, — continuou — eu não sou o... — fungou forte, balançando a cabeça de um lado para o outro, como que chacoalhando as ideias na esperança de que elas se reorganizassem — Eu não sou seu namorado... Ou seu ex-namorado, não sei... Eu não sou o Paulo daqui. Dessa... dimensão. 

Minhas lágrimas pararam, tão perplexas quanto eu.

Encarei-o com uns olhos inchados e arregalados. Ele, provavelmente esperando alguma reação mais animadora, também sustentou o olhar em mim por um tempo. Percebendo que eu não ia dizer nada, prosseguiu, movendo o olhar para o cobertor: 

— Você deve saber que existem outras dimensões, e... Bom, que em cada dimensão existe uma versão de você mesma vivendo de outras formas. 

Deu uma pausa rápida e olhou para mim. Eu continuava idiotamente perplexa. Parecia refletir sobre o que ele dizia, mas só estava tentando prestar atenção enquanto meus pensamentos questionavam, desesperados, o que estava acontecendo.

Com a vista baixa outra vez — eu não era uma visão bela ou animadora de se ficar mirando —, continuou: 

— O fato é que sou de uma dimensão que não é essa. Na outra dimensão também tem outra de você que... Hmm... Nós não estamos mais juntos. 

Voltou a me encarar. Dessa vez, resistiu, e ainda era nos meus olhos que olhava quando disse: 

— Eu só pensei que... — pausa. Mais um suspiro e um fechar de pálpebras que durou uns quatro segundos. — Eu sei que as coisas não estão bem aqui também. Já faz algum tempo que eu descobri a passagem pra cá, e já faz algum tempo que venho te observando, e... bom, é verdade que eu fui menos cuidadoso nos últimos dias, isso foi muito idiota, eu te assustei... Eu não queria te assustar, mas... Caramba! Eu tava desesperado! Você não é aquela Mariana, mas você ainda é a Mariana e... e eu te amo! 

Ele não me deu tempo para pensar em nada, tampouco dizer. Inclinou-se rápido para perto do meu rosto, a mão esquerda enroscando no meu cabelo enquanto a direita, por baixo dos cobertores, encontrava minha coxa. Ia me beijando e ia me acariciando. Nenhum protesto de minha parte. Eu não havia entendido o que ele dissera sobre outras dimensões; sua própria presença ali continuava me sendo absurda. Talvez eu pensasse que sonhasse, ou que ele fosse um fantasma buscando uma vingança que ainda não me era clara. Não importava. Eu o amava, eu ainda o amava, e, desconsiderando-se as circunstâncias e os porquês, ele estava ali.

Passamos a noite juntos. Um misto de medo, calor, culpa, desejo e uma felicidade melancólica fazia com que eu me sentisse desumana. Quero dizer, as sensações eram completa e pateticamente humanas, mas eram de tal forma poderosas que subjugavam minha compreensão de existência e faziam com que eu me sentisse ora só corpo, ora só alma. Sem racionalidade, sem complexidade. 

Eram quase cinco da manhã e nenhuma palavra tinha escapado de meus lábios. 

Ele tinha o tronco reclinado nos travesseiros junto à cabeceira, e eu, o tronco reclinado em seu peito. Eu ouvia seu coração. Isso me fazia acreditar que, afinal de contas, ele era real. De alguma forma, ele era real. Mas quanto de sua existência neste mundo ele sabia? 

Como se me incomodasse também de forma física, essa questão fez com que eu me mexesse de brusco. Ele, que dormitava, acordou de repente e afagou minhas costas, apertando-me contra si. 

— Que foi? — perguntou baixinho.

Já era tempo de dizer algo. Afastei minha cabeça de seu peito de modo que pudesse encará-lo. Nossos rostos, tão próximos... O dele, além de uma ponta de expectativa, tinha uma expressão firme e bondosa. Era uma expressão comum no rosto do homem que eu amava. Uma expressão que eu gostaria que estivesse mais presente em minhas lembranças do que a outra, lívida de insanidade, que sempre arranja um jeito de lhe tomar o lugar. 

— O que você quer? — eu disse enfim, respondendo com outra pergunta.

Ele deu um sorriso triste. Com um rápido abraço mais forte, respondeu: 

— Não é óbvio? 

— Como é que você pretende fazer isso? 

Depois de pensar um pouco, ele deu um beijo na minha testa e disse: 

— Não preocupa. Eu dou um jeito. 

— Eu quero saber — insisti. 

— Bom, não pode existir eu e mais outro de mim aqui, então... Eu quero te levar pra lá. 

Sua fala deixava claro que ele pouco sabia sobre o acontecera deste lado. Relevando isso e considerando a possibilidade das dimensões, perguntei: 

— E existiriam duas de mim lá? 

Por um segundo, seu semblante calmo se desfez num rosto sério, encoberto por uma palidez visível mesmo sob a luz fraca do abajur. 

— Não preocupa com isso — repetiu a fala anterior. 

Afastei-me dele num instinto. Tão próxima da beirada da cama que quase caía, encarei-o inquisidoramente e, tentando manter a voz firme, perguntei: 

— O que aconteceu? Eu quero saber!

Ele se manteve calado. Eu quase podia ver, através de suas pupilas, seus pensamentos correndo para lá e para cá, como se disputassem entre si qual seria mais apresentável. Uma desculpa? Uma mentira? Um eufemismo? Mais um “Não se preocupa”? 

— Eu quero saber — reiterei.

— Você... Cê não existe mais lá.

Respirei fundo. E pedi: 

— Me conta.

Ele deu um risinho incrédulo e uma revirada de olhos. Levantou-se então da cama. Contornou-a até a minha direita, onde se encontrava a cômoda. De cima dela, pegou um objeto — provavelmente o que tinha derrubado no início da madrugada. Mostrou-me: um porta-retratos duplo que não continha nenhuma foto. 

— Suponho que alguma coisa aconteceu aqui também! — disse, arqueando as sobrancelhas e com um sorriso sarcástico no canto do lábio. Ele estava começando a ficar irritado, e isso me preocupava. — Até onde sei, tinha que ter uma foto sua e uma minha aqui. Lá é assim. Mas não tem nenhuma fotografia aqui, e cê deve ter um motivo interessante pra isso! 

“É claro que eu tenho um ‘motivo interessante’ para isso, seu estúpido. É claro que eu tenho.” 

No lugar de qualquer resposta verbal, vieram-me lágrimas. Mais lágrimas. O absurdo daquela situação e a depressão adquirida havia quase um ano, depois de um fatídico 24 de dezembro, faziam de mim uma grande chorona. 

Ele pareceu se comover com aquilo. Foi para junto de mim, abraçou-me, desculpou-se. Enquanto afagava meu cabelo, tentava se explicar: 

— É que... Meu amor... Meu amor, é difícil pra mim! Sabe... Lá... Lá as coisas saíram do controle. Você... Digo, a outra de você, começou a me dar motivos pra desconfiança e... Eu não merecia isso! Não merecia... Mas... aquele desgraçado... Aquele... o vizinho. O vizinho. Sempre tão solícito, aquele filho da... A questão é, por três vezes, veja bem, três vezes, eu voltei do trabalho e encontrei ele na minha casa. Três vezes. A Mariana de lá, ela dizia que eu não me preocupasse, que... que eu tava exagerando nos meus ciúmes, que... não era nada... que eu tava sendo bobo... Ela me dizia isso sorrindo e... caramba! Como isso me irritava! De noite, eu sonhava que pegava os dois na cama, e ela se encolhia pra mais perto do corpo dele, e dizia com um sorrisinho “Você tá sendo bobo, querido!” Claro... o meu papel de bobo era insuportável! Os sentimentos de inferioridade, e desconfiança, e... e... e ódio que me tomaram não deixavam que eu desviasse, nem por um momento, a imagem dos dois ora na mesa da cozinha, tomando café enquanto conversavam, ora na cama, que nem no meu sonho. Então quando, depois de quase um mês e meio atormentado com tudo isso, encontrei ele na minha casa mais uma vez, é natural que minha raiva me dominasse... Eu... eu tava decidido a acabar com aquilo... 

A história que ele estava me contando era, infelizmente, uma história conhecida por mim. A Mariana de lá era como esta. Eu. De alguma forma, eu sabia que, pelo menos em relação ao vizinho, e assim como eu, ela não tivera a menor culpa...

Era um garoto de uns 19 anos que se mudara para a cidade a fim de estudar. Estava fora da casa dos pais pela primeira vez e ainda não fizera novos amigos. Nem namorava. Religioso, ele acreditava naquilo de esperar pela mulher certa — a mulher enviada por Deus. Longe de mim ser essa pessoa! Eu era comprometida. Eu amava meu namorado e Ruan (era esse o nome do estudante) tinha a mim todo o respeito. Se viera com alguma frequência à minha casa, a princípio, era para ter alguém com quem conversar. Talvez por ingenuidade, não passava por sua cabeça que, se eu estivesse sozinha, sua presença ali poderia ser vista com malícia pelos outros vizinhos e com desconfiança por Paulo. 

Quando aparecia em minha casa, fazia-o no mesmo horário em que meu namorado costumava chegar do trabalho. Penso que sua intenção fosse conversar com nós dois, ter ambos como amigos. Mas Paulo ficava tão perturbado ao vê-lo à nossa mesa que, mal nos dirigindo a palavra, saía de cara fechada para o quarto e batia a porta. Talvez achasse que tínhamos ficado juntos a tarde toda. Talvez achasse que o provocávamos de propósito. Só sei dizer que sua atitude me parecia exagerada, ainda mais para alguém que sempre fora tão sensato. Eu bem que tentava conversar com ele depois... Tentava lhe explicar a situação, mas minhas explicações lhe soavam como desculpas. Tentava lhe tranquilizar, mas ele se fazia de surdo. 

Como Ruan não parecia se tocar que, para meu namorado, sua presença em nossa casa não era bem-vinda, tentei fazê-lo entender isso. E ele pareceu compreensivo, apesar de um pouco triste por perder minha companhia e a de Paulo que, segundo o que disse, pretendia conquistar. 

Confesso que senti pena dele. Senti algum remorso também: se eu o considerasse muito importante para mim, não teria permitido que as neuras de Paulo me levassem a afastá-lo. Mas não era o caso. Assim, eu preferia agir de forma egoísta com um para não magoar o outro — aquele que realmente me importava. Por mais que tivesse consciência de que Paulo exagerava, eu não deixava de compreendê-lo. É que eu o amava tanto, tanto... Seus defeitos me eram quase indiferentes. 

Tudo teria ficado por isso mesmo. Paulo andava um pouco estranho, ensimesmado, mas não tinha mais do que reclamar. O problema é que, às vésperas do Natal, Ruan acabou retornando à nossa casa. Trazia uma caixa de sobremesas natalinas como presente e perguntou por Paulo. Creio que, assim como desejava boas festas a mim, queria desejá-las a ele. Não contava que meu namorado estivesse trabalhando; ficou, inclusive, bastante surpreso com isso. 

Acabei recebendo-o. Sabia que teria que lidar com os ciúmes de Paulo, mas depois tudo ficaria bem. Tinha que ficar bem. Que mal eu estava fazendo? Nas circunstâncias, apenas me parecia pouco educado não convidar o garoto a entrar. Além disso, aquele era, provavelmente, o primeiro 24 de dezembro que ele passava longe da família. Não era justo lhe oferecer alguns segundos de atenção? 

Mas as coisas não ficariam bem. Não ficaram. Eu não conhecia meu namorado tanto quanto eu julgava; nossa relação, sempre tão saudável, nunca o pusera à prova. Já brigáramos antes, é claro, mas eu nunca o vira transtornado... Digo, realmente transtornado; louco! 

Abriu a porta. Mal viu Ruan à nossa mesa, relanceou a mim um olhar que me arrepiou até a alma. Retornando o olhar ao rapaz, sacou uma pistola — que conseguira sabe-se lá onde e que carregava consigo havia sabe-se lá quanto tempo — e apontou para ele. 

Eu estava a uma distância de três ou quatro passos, mas, dali mesmo, com a adrenalina, consegui saltar por cima de Paulo. Sempre fui fraca, mas o impacto foi suficiente para derrubar nós dois. A pistola também caiu, e perto de mim, fosse para minha sorte ou meu azar. Peguei-a, levantei-me de novo e, impulsivamente, apontei para ele, que também se levantava. Aquilo era um gesto de defesa quase inconsciente, mas Paulo me entendeu mal. Encarou-me com a expressão da qual eu nunca me esqueceria — os olhos arregalados, um sorriso insano — e dirigiu-se, como um monstro, para o local em que eu me encontrava. 

O susto, o medo, a adrenalina... Tudo corroborou para que eu, num átimo, num instinto de autopreservação do qual me arrependeria para o resto da vida, disparasse. 

Um único tiro. 

Paulo caiu. Poucos segundos mais tarde, estaria morto. 

A cena chocara tanto a Ruan que ele saiu de casa correndo e, depois disso, eu só o vi mais uma vez: no meu julgamento. Acho que, de traumatizado, abandonara os estudos e voltara para a cidade dos pais. 

Quanto a mim, fui absolvida. Provou-se legítima defesa no tribunal. Eu mesma tentava acreditar no veredicto — era a verdade, era o que aleguei, era o resultado pelo qual eu pagara um advogado para conseguir. No fundo, entretanto, parecia-me totalmente incoerente que eu tivesse me defendido de alguém que, até então, nunca fora rude comigo nem levantara um dedo contra mim. De alguém que eu amava profundamente. 

Não era para eu ter o matado. Não era! 

E aquilo já fazia quase um ano. Quase um ano que eu criara meu inferno pessoal: remorso, saudade, tristeza, raiva, vazio, olhares inquisidores sobre a minha pessoa (nas poucas vezes em que eu saía à rua) e remédios antidepressivos. 

Meus olhos tinham se desfocado enquanto eu me perdia em todas essas lembranças, mas, quando focalizei os de Paulo, vi que estavam vidrados. Tão vidrados quanto os do Paulo que morrera. Aquilo, é claro, me tirou os sentidos por um instante, mas nada foi pior do que ouvi-lo sussurrar: 

Eu matei ela. 

Não fiquei exatamente surpresa. O que me aterrava era o fato de termos sido condenados, ambos, à fatalidade. Tantas possibilidades dentro de ambas as nossas realidades e tínhamos, contudo, conquistado apenas o pior. 

Quando me encarou, ele pareceu entender, de forma repentina, o que tinha acontecido com sua versão neste mundo. Lançou-me um sorriso fraco e perguntou, mais para si mesmo do que para mim: 

— Por que, Mariana? Por quê?

Suas mãos desceram leves por meu rosto em direção ao meu pescoço. Ali se fecharam, mas sem força. Ele me lançou um último “Por quê?”, que eu mais li em seus lábios do que ouvi. Em seguida, vagarosamente, começou a se ofuscar. Escurecer. Tornar-se sombra. 

Desapareceu. 

Depois de permanecer atônita por um tempo, acendi a luz do teto e corri para o espelho. No meu pescoço, marcas rosa-claras de dedos. 

Então, um disparo. Longínquo, mas nítido. Achei que meu coração fosse parar na apreensão que se seguiu. 

Nada. Talvez o disparo fosse obra de Paulo, no outro lado. Ou, talvez, fosse apenas um eco do passado. Minha única certeza era que, de qualquer modo, ele não iria mais voltar. 

Apaguei as luzes, voltei a me deitar. Não dormiria, naturalmente. Apenas chorei, chorei e, enquanto chorava, consolava a mim mesma: “Se eu não o tivesse matado, quem estaria morta sou eu.” 

Pobre de mim... Eu já estava morta. Estava morta em outra dimensão e, sob vários aspectos, nesta também.

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