Memórias póstumas de A. G.

Estivemos bem por um tempo. Dormíamos abraçados, acordávamos um ao lado do outro, almoçávamos juntos, saíamos de mãos dadas. Depois vieram as desconfianças, as brigas, o término. Cada um pegou sua braçada de coisas no apartamento que dividimos por um ano e arranjou outro canto para morar.

Eu voltei para a casa da minha mãe. Ela não me cobrava um aluguel que eu não podia pagar, mas, em compensação, ficava me olhando com cara de “eu te avisei”. Avisar ela avisou, mas o que eu podia fazer? Pessoas apaixonadas, assim como pessoas enciumadas, não ouvem ninguém além de si mesmas.

Meu ciúme era proporcional à minha paixão, e ambos eram enormes. Continuei amando-o mesmo depois que ele sumiu de vista, e sofrendo com a possibilidade de que ele já estivesse com outra. Perdi o emprego, perdi dez quilos, perdi a vontade de viver. Eu sabia que estava agindo como uma idiota e isso fazia com que eu me sentisse mais idiota ainda. Desesperada, matei-me. Matei-me e não morri: fiquei para assistir ao sofrimento dos meus pais e à indiferença de meu ex-namorado... 

Ele, de fato, estava com outra.

8 comentários:

  1. ahhh, suas palavras <3

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  2. O maior sonho dos manipuladores emocionais é poder se suicidar e de algum modo continuar vivo para ver o que acontece.
    GK

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  3. fiquei super em dúvida se a essa história e real, inspirada na realidade ou completamente fictícia. fiquei triste no final, nunca passei por um fim mas senti um enquanto lia. o amor é um sentimento que transborda e não tem como controlar.

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    1. Tem toda a razão, Gabi!

      Obrigada pela visita e pelo comentário 😊

      Abraços 💗

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  4. Nossa, pesado, minha cabeca deu um nó mas amay haha <3
    N E O D E S V A R I O

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