Gravidade celeste

Inclinar o pescoço para trás,
olhar bem para cima,
inebriar-me de céu.
Sentir-me cada vez mais tonta com minha própria pequenice,
perder noção de tempo, de espaço, perder sentidos,
cair para cima,
afogar-me de céu.


Absurdamente


Eu sou absurda,
eu sou completamente absurda,
você sabe quão absurda eu sou...

Eu invento as regras
que se prendem aos meus próprios tornozelos
e meus tornozelos passam a arrastar essa culpa
pelo dó que sinto de mim mesma.
Então me abraço.
Afago-me o cabelo.
Vou me levando de mansinho para o quarto
e ali me prendo por horas,
a fim de ter um tempo de mim.
Pois quem é que aguenta vitimismos?
Repreendo-me,
tenho uma conversa séria comigo mesma
e digo séria para mim mesma:
Não se esqueça de que você é seu peso neste mundo”.

Silêncio.
Percebemos, ambas, o paradoxo do sermão.
Sentamos, ambas, eu e eu, na beirada da cama.
Choramos por horas.

Formulário de contato (para a página de contato, não remover)