Pequenina


Das mulheres que me habitam, só uma o amou: a pequenina, que abaixava os olhos e a voz quando dizia: “Ele é um cara legal”. Então corava, sentia-se boba, escondia-se, sumia por meses, por anos... Sumia e depois, crente de que enfim tinha a coragem de que precisava, voltava e se apresentava às companheiras de alma com um discurso longo e persuasivo sobre seu ponto de vista. Coitada... Uma vez centro das atenções, encolhia, fugiam-lhe os argumentos, via nos olhos das outras a razão rebatendo o que ainda nem dissera... Por fim, só dizia (e inaudivelmente): “Mas ele é um cara legal...” 

Sumia de cena outra vez.

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