Residual


Este chão, ainda não varrido,
coberto com fios do meu cabelo.
Os móveis, com uma camada clara
da porção da minha pele que virou poeira.
Meu travesseiro, meu colchão,
impregnados de tudo o que meu subconsciente,
quando adormeço,
acha insensato reprimir.

A cada metro quadrado,
mil resíduos de mim.

Como é que ainda existo?
Como ainda não me desfiz?



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