Rápida e enfadonha existência, póstuma insignificância


Nascido havia pouco, o sentimento ainda não tinha nome. Também era cedo para saber com o que se parecia — melancolia? Aflição? Arrependimento? Desespero? O sentimento, inominado e disforme, dormia muito. Mas ressonava alto, mantendo-me acordada. E quando, por sua vez, acordava, aí é que eu não dormia mesmo... E comia, como comia... Alimentava-se, vorazmente, dos meus pensamentos. Do meu tempo. De mim. Pelo bem ou pelo mal, durou pouco, o pobrezinho. Foi-se em setembro: uma rajada de vento o levou. E foi-se sem nome, foi-se sem forma. Foi-se sem rastro. Nenhuma lápide deixou para provar que um dia, de fato, existiu.


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