Jornada


A vida,
tão tênue naquele corpo tão magro,
achou por bem escalar o escarpado
das costelas mal escondidas
sob pele fina.

No topo,
íngreme e seco,
esperou.

Um sopro, e voou.



Autoria


Se existo é porque existo. Isso me basta para justificar minha existência e esta deveria lhe bastar para justificar o que sou. Por que você me pede tantos porquês? As coisas que faço... eu vejo sentido nelas e depois não vejo mais. O grande sentido sou eu: eu existo. Meus atos são só consequências do meu existir. Desse modo, não pedirei desculpas pelos estragos nem culparei outrem. O fato é que somos ignorantes por natureza, e toda a nossa ignorância advém, irônica e justamente, da nossa racionalidade. Fôssemos formigas, os danos seriam menores. Fôssemos vermes, os danos seriam menores. Mas não, somos humanos: eis nossa única culpa. Eis nossa eterna desculpa.

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