Expectativas aladas


Nossos olhares cruzados
nos conduzem
a uma nova infância:
por um segundo-mil-anos
tudo o que nos apraz é crível,
possível,
capaz...

Cremo-nos infinitos
mas, em seguida,
seguimos...

Rumamos desiludidos à Terra do Nunca Mais.

Indecifro-me num pranto inútil


Aperta o peito
a angústia que antecede o choro 
que se pretende alívio. 

Ah, quão pouco as lágrimas podem fazer por mim... 
Não mais do que o rosto vermelho, 
os olhos embaçados, 
o nariz a não me dar sossego 
e os pensamentos ardidos, 
molhados, 
amolecidos 
tal como o folheto de supermercado 
que tomou chuva no quintal 
e no qual agora não se lê mais nada. 
Mais nada.

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