Reflexos

As luzes do semáforo refletiam-se alternadamente no asfalto molhado... Pareciam apenas se distrair com suas próprias cores, posto que, já havia um bom tempo, nenhum carro passava para que ordenassem parar ou seguir. A moça, da touca de lã amarela, das bochechas vermelhas de frio, dos olhos verdes e vazios, também se distraía; um toldo que pingava ao seu lado é que lhe prendia a atenção.
  
Uma, duas, três. Quatro gotas. Logo dez. Logo trinta.

Final de tarde, ninguém na rua e aquele céu que ameaçava se derreter em chuva outra vez.

Amarelo, depois vermelho, depois verde... Nenhum carro. Ninguém. 
  
Somou-se ao som das goteiras o dos saltos na calçada. Toc, toc, toc. Frustrada, voltava para a casa.

Revis(i)tas

Cavalos-marinhos não me lembram nada em especial...

Podia ser assim com as músicas bonitas
estragadas pelos momentos bonitos
que se tornaram momentos persistentes
(e de uma inconveniência sem tamanho)
a me arranharem o fundo da cabeça.
Dói.
E o pior é a lentidão do tempo
quando quer ser lento...
Nas salas de minhas longas esperas
folheio revistas velhas
revisitando saudades encarquilhadas
(que há muito já nem sabem meu nome).
Dói.
Redireciono meu olhar à porta;
quando é que a porta vai se abrir?

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