Florilégio


Uma vez a cada não sei quanto tempo
esse florir em versos.
Encher-me de versos.
Lotar-me de versos.
Poesia a me pulsar no peito
e crescer pelos dedos
e depois resistir, indecisa,
à queda até o papel...

(Pois e se o vento a desvia
das irmãs-poesia?
Ou se, para as más poesias,
não houver céu?)


Lamas de Mariana

Não há peito que aguente barrar tanta sujeira...

Minhas feridas mal fechadas
com lama mal coagulada
denunciam o dia em que minha pele cedeu.
Minha dor,
livre e rápida,
densa e ávida,
de vingativa, me encobriu.
E de ver meu corpo tão sujo,
de ver minhas memórias tão sujas,
de ver minha história tão suja,
eu quis chorar meus peixes pútridos
dentre minhas lágrimas tóxicas.

Não houve alívio em lavar com lama
minha alma de tantas almas sujas de lama.

Não houve alívio,
bem o sabem minhas feridas mal fechadas,
minhas almas mal lavadas.

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