Reflexos

As luzes do semáforo refletiam-se alternadamente no asfalto molhado... Pareciam apenas se distrair com suas próprias cores, posto que, já havia um bom tempo, nenhum carro passava para que ordenassem parar ou seguir. A moça, da touca de lã amarela, das bochechas vermelhas de frio, dos olhos verdes e vazios, também se distraía; um toldo que pingava ao seu lado é que lhe prendia a atenção.
  
Uma, duas, três. Quatro gotas. Logo dez. Logo trinta.

Final de tarde, ninguém na rua e aquele céu que ameaçava se derreter em chuva outra vez.

Amarelo, depois vermelho, depois verde... Nenhum carro. Ninguém. 
  
Somou-se ao som das goteiras o dos saltos na calçada. Toc, toc, toc. Frustrada, voltava para a casa.

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