Pós-sono

Eu não sou um rosto bonito pelas manhãs,
tampouco uma alma pura
quando é tanto o que me assusta
no que está por vir.
Os dias vêm sorrateiros demais
para que confiemos neles...
Acordamos e lá está um dia
a nos encarar de cima da cama
estendendo a mão e dizendo “Vem”.
Vem pra onde, caramba?! 
A rota das formigas no formigueiro
não me agrada
nem me agrada
o vagar sem rumo
daquele que largou tudo
e que agora é só no mundo.
Eu não sei bem o que eu quero.
Eu nunca soube.
Eu ainda tão atordoada
do último sonho que tive
e um dia inteiro a me esperar num quarto
a ocupar um quarto
a me apertar num quarto
e me sufocar até que eu levante.
Que eu me arranje.
Que eu vá.

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