Ritmo

Abençoados sejam os motoristas
que dão passagem aos pedestres
nos dias de chuva.
Nos dias todos, pensando bem.
Um “obrigada” que se lê labialmente,
passadas rápidas que é pra não atrasar o trânsito.
Pronto,
o outro lado da rua.
Há vida ainda.
Há vida num passeio traiçoeiro
enfeitado de caixas velhas
e postes
e gente que anda devagar demais,
devagar demais... 
Mas a apressada sou eu.
E pra quê?
Atravessar, atravessar, atravessar...
Há de chegar o dia em que não haverá o outro lado da rua;
desentendo minha própria pressa.
Nem pretendo entendê-la, confesso.
Aperto o passo; ainda há rua.

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