Terra Poetisa

Expulsos da República, os poetas vagaram por séculos, como o judeu errante. Para eles, no milk, no honey, no gold and glory on the way. Nas solas endurecidas dos pés, escreveram a sangue versos que ninguém leria. Choraram uns nos ombros dos outros, com a sensibilidade que — essa, ao menos — lhes era permitida.  

Até que chegaram à Pasárgada — não a Pasárgada dos persas nem a Pasárgada de Bandeira, mas uma Pasárgada terceira, meio Atlântida meio El Dorado, com a qual calharam de topar. Ali se estabeleceram, destronaram reis, descriaram leis, pariram crianças e poemas. Carpe diem. Uma vida doce, tão doce... 

Tão doce que enjoou. Toda aquela bonança. Toda aquela mesmice. Toda aquela arte sobre a arte e a arte é qual parte, destarte? 

Expulsaram-se da nova República. Outra vez Ahasverus, partiram em busca de ter sobre o que escrever. 

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