Nado-me

Desvio-me de propósitos santos
quando a mão pega a caneta
pois a caneta é errante
e o papel, terra de ninguém.
No transe da escrita
não respondo mais por mim...
Eis que tudo são vozes de outros tempos
e outros espaços,
de eus que me foram vedados,
de Deus ante a Criação.
No transe da escrita
transgrido-me
falseio-me
recrio-me
e rio-me
enquanto a poesia
me cascata em versos,
estrofes,
poema.

No transe da escrita, banho-me.
No tudo da escrita, nado-me.

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