O Tempo Perdido da Busca

por - 6.12.19

Não tem mais a mesma graça
ver o rosto espelhado
na esfera natalina
(em seguida afastá-lo
aproximá-lo
afastá-lo
– o nariz alarga e afina,
alarga e afina).

Nem tem mais a mesma graça
de quando menina
pendurar as esferas na árvore
ou montar a árvore
ou sequer tirar a árvore
da caixa empoeirada
de cima do armário
mas penso, profunda e comigo:
da infância restou o açúcar 
que sempre fica 
no prato dos figos.

(Ainda que,
quando criança,
eu não comesse figo.)



Clique aqui para ver este e outros poemas na zine Poemas Especiais de Natal.

6 comentários

  1. Oi, Larissa tudo bem? Muito sugetivo esse poema ao que remete o Natal. A propósito eu não gosto de figo. Adorei o poema. Abraço e um ótimo fim de semana para você!

    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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    1. Tudo bem, Luciano! E você?

      Sabe, eu passei a gostar depois de adulta, haha!

      Muito obrigada! Para você também!

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  2. Amadurecer é perceber que é tudo mentira.
    GK

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    1. E não é, Gugu?

      (Abraço enorme para você!)

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  3. Eu adoro poemas/textos que nos remetem à infância. É sempre muito nostálgico e acolhedor. Me lembra doce, açúcar, como você mencionou,e tardes de brincadeira no quintal da casa de minha avó materna :) Estou amando os seus poemas de Natal ♡

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    1. Fico muito-muito feliz por saber isso ♡

      Obrigada pela visita e comentário lindos!

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