Antes de sair

por - 24.10.20


Sempre busco maneiras de vestir minha voz. Tenho tendência a enfeitá-la, imaginando-a como algo a que aspiro e que quase sou. Jogo de espelhos: em frente aos espelhos, minha voz se veste. Admiro-a enquanto penso em como lhe dizer o que quero que ela diga, e peço que tenha cuidado com os próprios pensamentos, a voz. Que não tenha medo do mundo. Que fale com coragem, mas que não fale demais, que falar demais é deselegante. Faço com que ela olhe os espelhos e perceba que daí é que vêm os mistérios e a falta de origem. Que não há origem. Minha voz então emudece. Decepcionada, despe-se.

10 comentários

  1. Anônimo24/10/20

    Eu penso que teu poema, destrói a matrix.
    E é isso. A ilusão não mais importa.

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  2. Do em nós é a voz a foz.
    GK

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  3. Oi Larissa, como vai? Teus poemas são uma dádiva celestial. Sou abençoado ppr ter a oportunidade de ler algo tão singelo, mas ao mesmo tempo profundo. Obrigado por me proporcionar tal ensejo. Parabéns pelo seu dom, e continue senpre a nos agraciar com sua Arte. Um abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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    1. Oi, Luciano! Vou bem, e você?

      Que gentileza imensa...! Eu que o agradeço, e muitíssimo ♡

      Forte abraço e uma ótima semana para você!

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  4. Lari, que coisa mais linda. É normal o efeito de ficar sem o que dizer diante dos teus escritos. É difícil encontrar palavras pra descrever o que se sente depois de lê-los.
    Beleza incomparável. Apenas isso.
    Um talento admirável você possui, Lari. Parabéns. Nós é que emudecemos.

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    1. Maju querida, que bom vê-la por aqui! E que comentário fabuloso! Você é fabulosa. Muito, muito, muito obrigada por tudo o que disse ♡

      Um abraço enorme pra ti!

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  5. Que gracinha.

    Bom fim de semana!


    Jovem Jornalista
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    Até mais, Emerson Garcia

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