Registro de um momento presente (1)


Um banco de madeira, quase 17h, 21 de junho de 2020.

A cada alguns segundos uma folha ressecada caindo do limoeiro. Estalos vindos do mato: quero e não quero saber por quê. Ao longe os tiques da tesoura de poda. Mais ao longe, a estrada trazendo o som de algo vindo à distância. (À distância de sonho? É real a estrada?) Tirivas que gritam, bois que sobem a colina. Muge um dos bois, um mugido com corpo próprio, o boi mesmo já sumido do campo de visão. Limões amarelo-alaranjados pululam toda a paisagem, limões-pop-art no meio do mato. As nuvens, pinceladas de qualquer jeito — no domingo até o céu tem preguiça. Conversam as pombas do ar, e os grilos. Os dedos dos pés, inquietos dentro das botas. Eu, tentando voltar ao livro.

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