Antes de sair


Sempre busco maneiras de vestir minha voz. Tenho tendência a enfeitá-la, imaginando-a como algo a que aspiro e que quase sou. Jogo de espelhos: em frente aos espelhos, minha voz se veste. Admiro-a enquanto penso em como lhe dizer o que quero que ela diga, e peço que tenha cuidado com os próprios pensamentos, a voz. Que não tenha medo do mundo. Que fale com coragem, mas que não fale demais, que falar demais é deselegante. Faço com que ela olhe os espelhos e perceba que daí é que vêm os mistérios e a falta de origem. Que não há origem. Minha voz então emudece. Decepcionada, despe-se.



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