Como se mais nada


O último raio de sol bate no guarda-roupa e é por um segundo, apenas. Com a brisa fria que segue depois que ele se esconde, as cortinas fremem. Sinto-as como que desconfortáveis, como se suas dobras onduladas acotovelassem umas às outras sussurrando: “Quem pergunta?” Respondo a todas antes que qualquer uma se voluntarie: “Não, ainda não.” Elas sossegam, decepcionadas. O escuro do céu, que estava em suspenso (também aguardando resposta), cai. Acendem-se as luzes dos postes. Vai a noite como se nada, como se mais nada, tivesse acontecido.


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