Descômodos para o Halloween


No começo deste mês, foi lançada minha primeira coletânea de contos pela Editora Coverge! Contos de Descômodo está disponível em versão digital no site da Amazon e no site da editora desde então, e a versão física pode ser adquirida aqui (o livro será enviado entre os dias 20 e 30 de outubro).
 

A coletânea é uma reunião dos contos fantásticos e contos sombrios que estavam por aqui nos últimos anos, e também tem quatro inéditos. Todos são uma boa pedida para o Halloween! Confira os dois primeiros contos aqui.


Além disso, o livro tem onze poemas curtos (abrindo cada bloco de histórias) e algumas fotografias em P&B tiradas aqui em Caldas (MG). É, basicamente, um pedacinho do blog para carregar no bolso.


Se você gosta do conteúdo que produzo por aqui, considere adquirir os Contos de Descômodo! É uma forma de me apoiar que contribui muito para minha escrita 



Qualquer dúvida, estou à disposição!
Um ótimo Halloween para você 

Reunião

Tamborilar os dedos
no tampo da mesa
chamando as esperas
que chegam,
uma após a outra,
sentando em torno do tampo
com temperamentos tépidos
de tempo descomunal comum.

Firmamento

Apoio-me no firmamento
para não cair de costas
no mar de que se faz a Terra
mas quando lembro
dos peixes cegos e medonhos
que habitam as profundezas das águas
penso em como é virar peixe
a quilômetros da superfície
e nadar no escuro
sem pensar em mimese
ou caverna de Platão
ou na origem do Ocidente
ou no acidente
de que sou vítima
quando penso
que há firmeza
no firmamento.

A quem se interessou pelos Contos de Descômodo


Ontem, pela newsletter, disponibilizei o link para a pré-venda exclusiva dos Contos de Descômodo! O preço do livro na pré-venda é exatamente o mesmo de depois da estreia, sendo o envio do mimo (caderneta + cartão + marcador de livros) o diferencial da compra na pré-venda: R$36,00, com o frete incluso.


A quem já adquiriu a coletânea, além de meu muitíssimo-obrigada-de-coração, estou enviando um e-mail com a confirmação do pagamento. O envio desse e-mail está acontecendo manualmente, então o processo é mais lento. Assim que a Editora Coverge me atualiza sobre os pagamentos confirmados (e os por boleto levam um pouco mais de tempo), eu já entro em contato. 

No e-mail de confirmação, também comento que, como se trata de uma pré-venda, os mimos, bem como os livros, estão em processo de produção. Tanto o livro quanto o mimo estão com previsão de serem enviados o quanto antes em outubro. Avisaremos assim que forem enviados. Qualquer dúvida, estou aqui. 


Se você ainda não adquiriu os Contos de Descômodo na pré-venda (garantindo o recebimento do mimo), mas deseja fazê-lo, você pode checar sua caixa de entrada e/ou caixa de spam/social para conferir o e-mail com o link, caso você seja assinante da newsletter.

Se você quiser se inscrever na news, é só vir aqui. É importante confirmar a inscrição (no e-mail automático da Tinyletter) para validá-la. 

Se você deseja comprar os Contos de Descômodo, mas não na pré-venda, não tem problema nenhum! Logo mais estarão disponíveis a versão física (R$36,00) e digital (R$12,90) na Editora Coverge! E os dois primeiros contos do livro já estão por lá.

Novamente, muito-muito obrigada ♡ 

Um abraço enorme para você!

O que passa

Talvez,
do alto dos morros que você não vê, 
venha-lhe
minha voz
silenciada
tornada em impressão proustiana
e você se lembre de mim
como o vento que passa na
calada
da noite mais escura
e muda
uma paisagem de lugar.

Olhar os humanos

Há um céu sob minha cabeça
e um chão que
me mantém suspensa.
Estrelas me observam com curiosidade,
e eu a elas.
Talvez uma delas até diga
que sou uma estrela que já morreu.
Talvez lembre de mim com saudade.
Talvez pense
Há tantos-tantos-tantos
seres humanos no mundo
como pode haver
tantos-tantos-tantos
seres humanos no mundo?
Outra estrela se aproxima,
e diz
Eles parecem pequeninos
mas de perto
são ainda menores
do que parecem.
Outra estrela, com um movimento brusco,
vai caindo,
caindo,
caindo...
Faço um pedido:
Não sejam tão sinceras,
estrelas.
Nós ainda acreditamos em nós.

Dos (Trechos cansados e outros menos)

30.01.21. Os finais de tarde aos fins de semana têm essa melancolia que lhes é própria... Não sei defini-la, contudo. Não é a tristeza pelo dia que se vai nem o desespero causado por nova segunda-feira; são apenas uns pés cansados por dentro, almejando terras novas mas cansados por dentro. Eu não sei.



Registro disponível na zine (Trechos cansados e outros menos) enviada na newsletter! Mensalmente, envio conteúdos artístico-literários pela news, além de novidades e o resumo mensal do que acontece aqui no blog. A inscrição é gratuita. Caso você se interesse, é só deixar seu e-mail aqui 

Apaixonar-se:

criar um mito
em torno
de outrem.


Poema-colagem "Apaixonar-se", de autoria minha, criado provavelmente entre 2015 e 2016. Pintura do recorte: "Adão e Eva no Paraíso (A queda)", 1531, por Lucas Cranach, o Velho.

Erro de cálculo

Os mamíferos
sobreviveram ao meteoro
porque estavam
no fundo do escuro
e do fundo do escuro
planejaram a revolução
mal sabendo que,
dentre eles,
evoluiriam homens.
E os homens criariam
seus próprios meteoros.

Conto "A morte solitária dos velhos solitários" na newsletter de junho

"Antes naquela tarde, o cérebro de Vicente ia tentando retomar algum vocabulário de francês, língua aprendida a nível intermediário na juventude... Mas, então, atrapalhando sua concentração e o som da chuva que começava, chegara a seus ouvidos uma reportagem falando sobre a solidão dos velhos. Falando sobre o perigo da solidão dos velhos. Sobre a morte solitária dos velhos solitários, e sobre apartamentos fechados a três, quatro dias seguidos, até que alguém se desse conta do cheiro de podridão que escapava por alguma janela. Do mesmo modo que, por alguma janela, aquela reportagem escapava até ele."

Trecho do conto "A morte solitária dos velhos solitários", por mim, disponível na última newsletter! Mensalmente, envio conteúdos artístico-literários pela news, além de novidades e o resumo mensal do que acontece aqui no blog. A inscrição é gratuita. Caso você se interesse, é só deixar seu e-mail aqui 


As pausas, de quando percebidas

"Quando nas pausas solenes
Da natureza
Os galos cantam solenes."
(Fernando Pessoa, 1930)

"[...] Quando a floresta se cala
Fica a floresta a falar."
(Fernando Pessoa, 1932)

1.

Os dias se fatiam entre silêncio e som, dividindo os pedaços entre seres humanos famintos que nem se apercebem da gentileza. Exceto por um pedaço muito alto de som ou um pedaço muito extenso, ou muito repentino, de silêncio.

2.

Aprender a saborear os sons e os silêncios, sem a tentação que nos faz agarrar os pedaços todos, de uma vez, e empilhá-los em pratos rasos em que seus gostos se misturam e não se distinguem.


O resquício-fantasma


Apreciar
pelo débil instante em que vive
o poema de asas frágeis
que fulgura,
matutino,
dentre cortinas que balançam;
o poema pousado na cabeceira
arrepiado
recém-alevantado
de um travesseiro
recheado de onirismos;
o poema que cai,
fantasmático,
não se vê onde.
Um poema suposto.

A introversão como refúgio e uma newsletter muito atrasada


Fiquei alguns meses sem enviar a newsletter e peço desculpas por isso! Meus horários de repente ficaram meio doidos e eu não estava conseguindo me organizar e dar continuidade aos meus projetos... Mas: acabei de enviar uma news feita com muito carinho e com a versão digitalizada da zine A introversão como refúgio (cujos vislumbres aparecem nas fotos deste post). Se você ainda não faz parte da newsletter e por acaso se interesse em ser, é só colocar seu e-mail aqui. Abraços!
 

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