Agora menos

Todos esses poemas,
eu não sei de onde vêm.
Brotam das linhas noturnas
que medem meu quarto
de uma quina à outra
quando vou a sono alto.
Lá fora
em terras brasileiras
basta um sopro mais forte
ou um sopro mais fraco
ou nem mesmo um sopro
e já se revelam
mazelas defuntas
que sobrevivem ano a ano.
E nós vamos morrendo,
despachando-nos
em enterros rápidos
compartilhando covas sinônimas
na costela cavada às pressas
de um chão velho conhecido.
(E outros vão nos regendo,
como se não fôssemos agora menos,
como se não houvesse nada de mais.)

6 Comentários

  1. O poeta nada poda. A poesia pode tudo.
    GK

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  2. Oi, Larissa! O mundo atual me parece uma enorme cova de gente inconsequente e intolerante. Aonde já se viu morrer tanta gente por consequência da inconsequência de tanta gente, embora muitos creditam que a mortandade excessiva seja culpa exclusivamente de gente que governa (governantes). Adorei a poesia. Tua alma é pura poesia, e poesia é vida para acalentar-nos num momento tão nefasto como este. Parabéns! Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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    Respostas
    1. Ficamos perplexos, não é, Luciano? Falta empatia. Falta amor!

      Muito, muito obrigada! Um abraço enorme para você!

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  3. Que palavras! Parabéns!

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA voltou do Hiatus de verão cheio de novidades e posts novos!

    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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