O que passa

Talvez,
do alto dos morros que você não vê, 
venha-lhe
minha voz
silenciada
tornada em impressão proustiana
e você se lembre de mim
como o vento que passa na
calada
da noite mais escura
e muda
uma paisagem de lugar.

Olhar os humanos

Há um céu sob minha cabeça
e um chão que
me mantém suspensa.
Estrelas me observam com curiosidade,
e eu a elas.
Talvez uma delas até diga
que sou uma estrela que já morreu.
Talvez lembre de mim com saudade.
Talvez pense
Há tantos-tantos-tantos
seres humanos no mundo
como pode haver
tantos-tantos-tantos
seres humanos no mundo?
Outra estrela se aproxima,
e diz
Eles parecem pequeninos
mas de perto
são ainda menores
do que parecem.
Outra estrela, com um movimento brusco,
vai caindo,
caindo,
caindo...
Faço um pedido:
Não sejam tão sinceras,
estrelas.
Nós ainda acreditamos em nós.

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