Notas da pré-tempestade

1.

Sob o cinza
como se de repente
e mais uma vez
viesse um prometido
apocalipse.

2.

(Eu sempre tive medo
de ouvir trombetas
de ouvir sirenes
de ouvir qualquer coisa
que anuncie qualquer coisa
mal-vinda
e ainda não vista.)

3.

Quem inventou o suspense
deveria ser suspenso
pelos braços
a uma altura
de vinte e cinco metros
a pensar sobre os malefícios
da própria invenção.

4.

Andorinhas
se alvoroçam
esvoaçam
e se entrecruzam
como num show de metal.



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6 Comentários

  1. Eu sempre tive medo de não ouvir nada, e não saber das vibrações nas letras. E quem inventa, de alguma forma é poeta, por isso todas as estações do ano, e as tuas belas imagens inventadas pelo teu sentido de criação da poesia, como a energia do dia e as desconstruções dos sonhos ... os dos outros. A tua inteligência me perturba, eu até penso que tenho inveja dela. Tô ouvindo agora The red Book do Penguin café, ouve tu vai gostar. Grande abraço e boa semana.

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    1. Deixei o álbum para tocar e eu conhecer um pouco dele enquanto respondo seu comentário ♥

      Muito obrigada, Ney! Sua inteligência é gigante e sempre bem-vinda por aqui.

      Abraços e uma semana fantástica pra ti!

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  2. Sensacional Larissa, você é talentosa demais. A versão física do seu livro tá um deslumbre. ♥

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    1. Ah, fico tão honrada, Camila ♡♡ Muito obrigada mesmo!

      Um final de semana belíssimo pra ti!

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