Agora menos

Todos esses poemas,
eu não sei de onde vêm.
Brotam das linhas noturnas
que medem meu quarto
de uma quina à outra
quando vou a sono alto.
Lá fora
em terras brasileiras
basta um sopro mais forte
ou um sopro mais fraco
ou nem mesmo um sopro
e já se revelam
mazelas defuntas
que sobrevivem ano a ano.
E nós vamos morrendo,
despachando-nos
em enterros rápidos
compartilhando covas sinônimas
na costela cavada às pressas
de um chão velho conhecido.
(E outros vamos vivendo,
como se não fôssemos agora menos,
como se não houvesse nada de mais.)

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