Sossega

Teus pensamentos dançam e noite após noite eu sou o palco. Percebes? Eu, não a tua cabeça. Teus pensamentos não sossegam. No último sonho lúcido, perguntaram-me como seria dar vida e voz a um travesseiro, e como seria se ele falasse à maneira da Bíblia ou dos textos portugueses de que gostas. Percebes? Agora sossega a tua cabeça; o poema foi feito, ainda que deitado como tu. Ajeita-te. Dorme. Enquanto tu dormes, eu ouço; depois te conto e tu escreves.

A duração de uma queda

Ficaram fiapos de nuvem
no meio do seu cabelo
e uns restos do aroma fresco
do primeiro azul da manhã.

E eu,
que sempre me perguntei 
como era o céu visto de perto,
dei-me por satisfeita.

(Os anjos são raros,
e se pervertem rápido.)

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