Conto "A morte solitária dos velhos solitários" na newsletter de junho

"Antes naquela tarde, o cérebro de Vicente ia tentando retomar algum vocabulário de francês, língua aprendida a nível intermediário na juventude... Mas, então, atrapalhando sua concentração e o som da chuva que começava, chegara a seus ouvidos uma reportagem falando sobre a solidão dos velhos. Falando sobre o perigo da solidão dos velhos. Sobre a morte solitária dos velhos solitários, e sobre apartamentos fechados a três, quatro dias seguidos, até que alguém se desse conta do cheiro de podridão que escapava por alguma janela. Do mesmo modo que, por alguma janela, aquela reportagem escapava até ele."

Trecho do conto "A morte solitária dos velhos solitários", por mim, disponível na última newsletter! Mensalmente, envio conteúdos artístico-literários pela news, além de novidades e o resumo mensal do que acontece aqui no blog. A inscrição é gratuita. Caso você se interesse, é só deixar seu e-mail aqui 


As pausas, de quando percebidas

"Quando nas pausas solenes
Da natureza
Os galos cantam solenes."
(Fernando Pessoa, 1930)

"[...] Quando a floresta se cala
Fica a floresta a falar."
(Fernando Pessoa, 1932)

1.

Os dias se fatiam entre silêncio e som, dividindo os pedaços entre seres humanos famintos que nem se apercebem da gentileza. Exceto por um pedaço muito alto de som ou um pedaço muito extenso, ou muito repentino, de silêncio.

2.

Aprender a saborear os sons e os silêncios, sem a tentação que nos faz agarrar os pedaços todos, de uma vez, e empilhá-los em pratos rasos em que seus gostos se misturam e não se distinguem.


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